Apr 27
    

A política monetária, notadamente a taxa de juros tem sido utilizada como forma de forçar a economia a operar em nível que permita controlar os preços.

Sem investir nas causas da falta de oferta de produtos e serviços, ou seja, na infraestrutura necessária para garantir sustentação ao crescimento do mercado, e ainda com gastança pública além do aceitável, a taxa de juros elevada passou a ser o instrumento mais utilizado.

Essa forma de monitorar a economia, que vem sendo praticada anos a fio, tem seu preço. O endividamento público se eleva, os investidores adiam seus projetos e a economia não deslancha. Perde o lado real da economia.

Nada mais forte foi feito nestes últimos anos. Houve somente reprodução do modelo com receio de que, entre outras coisas, se perdesse o controle sobre a inflação.

Com isso banqueiros, especuladores, fundos de pensão, e tantos outros setores do lado monetário da economia, se valeram desta “necessária” prática de juros altos para alavancarem seus negócios, com elevadas rentabilidades.

Sempre que alguém mais audacioso sinalizava com juros menores vinha um batalhão de agentes econômicos alardeando que seria perigoso, que o controle de preços teria que estar acima de tudo e de todos, enfim, não queriam mudar o status quo dos juros.

O momento presente da economia nacional não é muito diferente desses períodos anteriores. O controle da inflação continua sendo prioridade, não estamos preparados para sustentar o crescimento, mas mesmo assim estamos começando a quebrar o paradigma dos juros altos.

Os juros básicos chegaram a 9% ao ano, nos retirando da incômoda primeira posição em termos de juros reais (agora é a Rússia) e os bancos públicos estão forçando os bancos privados a se mexer.

A prévia da inflação aponta para 5,25% no acumulado de doze meses. Nada exagerado para quem opera com meta de 4,5%. É certo que os juros caíram agora, mas não há nada no horizonte que indique disparada nos preços, pelo contrário, os estoques de produtos estão elevados e se as empresas quiserem vender terão que derrubar os preços.

Neste cenário o que efetivamente pode acontecer é que descobriremos que é possível controlar a economia com juros menores. E isso não é novidade alguma, pois já é realidade em outros países com características semelhantes ao Brasil e que conseguem manter os preços comportados com juros menores. Neste contexto muda prioridade: investir na oferta de produtos e serviços e não somente segurar a demanda.

Evidentemente que os especuladores de plantão, aqueles com vida fácil, não desejarão que os juros caiam. Ganham muito, com baixo risco e, mexer nesta zona de conforto contraria muitos interesses.

Sinceramente já passou da hora de praticarmos juros honestos. Vejam que nem falei de juros baixos, mas honestos. Não é possível aceitar passivamente que certas modalidades de crédito batam os 250% ao ano. Não é o possível aceitar que empresas e empresários exponham-se ao risco com empréstimos para alavancar seus negócios com taxas batendo 40 a 50% ao ano.

É preciso ter coragem para enfrentar estas resistências e colocar o país em um caminho de normalidade econômica.

A torcida é para que a equipe econômica e a Presidente da República não se rendam as pressões e mantenham este firma propósito de monitorar a economia nacional com juros decentes.

O que vem ocorrendo não é o melhor dos mundos, mas já é um grande avanço se comparado ao nosso passado.

Juros honestos já.

 

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Apr 19
    

Aparentemente a estratégia do governo Federal está dando certo. Depois dos cortes dos juros do Banco do Brasil e Caixa Federal, os bancos privados começam a reduzir suas taxas.

A semana passada foi marcada por perdas de negócios por parte dos bancos privados e nesta semana a coisa mudou.

Negócios envolvendo financiamento de automóveis e até mesmo aportes de capital de giro para empresas estão com taxas mais competitivas.

Bom sinal, pois em um mercado tão oligopolizado como bancário, o receio era que as forças “ocultas” não permitissem quedas mais acentuadas nos juros domésticos.

Pela primeira vez tenho visto ações firmes na direção certa. A Caixa Federal, por exemplo, está sendo de uma agressividade que transcende a publicidade maciça. Reuniu na sede da Regional Bauru, lideranças empresariais para dizer em alto e bom tom: queremos emprestar, os juros caíram mesmo, e viemos para fazer a diferença.

Tenho informações que o Banco do Brasil prepara sua ofensiva na mesma linha da Caixa.

É um movimento importante, cujo resultado prático, pode levar a retomada do crescimento econômico, compensando com o crédito a falta de apetite do consumidor via renda.

Tudo isso tem como pano de fundo a revisão para baixo do crescimento do país. O Fundo Monetário Internacional aponta que o Brasil deve ficar na rabeira dos países emergentes, crescendo este ano os pífios 3%. Isso se dá enquanto o governo brasileiro sinaliza com 4,5%. Mas do jeito que as coisas estão na ponta, na operação do mercado, o desempenho, se nada fosse feito, ficaria mais para os 3% do que para os 4,5%.

Com juros menores pode-se esperar um estímulo ao consumo no mercado interno. Aqueles que estavam adiando compras se sentem mais estimulados.

É evidente que a questão tributária também tem seu peso. Uma redução dos impostos também ajuda a potencializar o consumo.

Independentemente das ações de curto prazo, necessárias, é preciso uma solução de longa duração e isso vai além das políticas monetárias e fiscal. É preciso mexer na estrutura do país.

Mas, como qualquer paciente que tem uma crise qualquer, não adianta falar em mudanças de hábito enquanto seu quadro não se estabilizar via medicação. E isso tem que ser feito. Claro que se as mudanças estruturais tivessem sido feitas no passado, hoje o cenário seria outro. Mas não adianta chorar o leite derramado.

Quanto aos bancos privados, a coisa é semelhante a historinha do tubarão que ficava rondando os peixes para que, nos viveiros, esses ficassem vivos, garantindo peixes sempre fresquinhos. Alguns podem até morrer, mas a qualidade dos que ficam é inquestionável.

No caso dos bancos ninguém morrerá, mas certamente foram obrigados a sair da zona de conforto. O mercado agradece.

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Apr 12
    

O governo Federal vem promovendo reduções na taxa básica de juros com a expectativa de induzir a queda de juros no sistema bancário nacional, mas isso não tem ocorrido na prática.

Considerando que a atual equipe econômica tem dois importantes bancos sobre sua tutela, ou seja, o Banco do Brasil e a Caixa Federal, a opção foi rebaixar os juros nestas instituições, forçando, via concorrência, que os bancos do setor privado também promovam quedas nos juros.

Evidentemente que os “poderosos” banqueiros iriam se manifestar. Apresentam à opinião pública inúmeras alegações para justificar as exorbitantes taxas de juros praticadas no Brasil.

Tentando demonstrar que o lucro dos bancos é apenas uma pequena parte na formação do spread bancário (diferença entre a taxa de juros pago pelos bancos na captação de recursos e cobrada de quem empresta recursos) tais banqueiros justificam juros altos em função dos tributos, custos administrativos, inadimplência, reservas compulsórias, entre outros.

Em parte têm razão. Os governos em todas as suas esferas tributam demais. Com esta gana em tributar interferem na formação dos preços e com a taxa de juros não é diferente. Também têm razão quando mencionam a inadimplência relacionando-a a morosidade da justiça brasileira. Custa muito receber dos inadimplentes. O atual rito processual é sinônimo de elevada burocracia.

Mas não outra ponta os bancos já cobrem, se não a totalidade, mas boa parte de seus custos administrativos com as tarifas bancárias. São extremamente conservadores e normalmente exigem elevada reciprocidade de seus clientes para realizar suas operações. Mais ganhos em seguros, previdência, títulos de capitalização, contas correntes de funcionários, entre outros.

Sempre tiveram elevados lucros quando a inflação batia os 40% ao mês, e continuaram ganhando muito com inflação atingindo os patamares atuais, entre 5 e 7% ao ano.

Não se deram conta que é preciso ganhar no volume e não em cada operação isoladamente. Que cliente em país desenvolvido aceitaria pagar 150% ao ano de juros em um cheque especial; 250% ao ano em cartão de crédito? Que empresário alavancaria seus negócios com recursos para giro acima de 40%, chegando em alguns casos a 100% ao ano? Não há renda, nem margem de lucro que suportem estes custos.

Observem que a questão é mais profunda. Estamos falando de mudanças na forma de operar do mercado bancário. Mesmos os bancos estrangeiros que aportam no Brasil se rendem ao “jeito brasileiro” de cobrar juros. Os resultados apurados no Brasil transformam a posição brasileira em uma das mais rentáveis se comparados com as demais operações destes bancos no resto do mundo.

É preciso aproveitar o momento desta, diria, provocação, e atacar todos os pontos na formação dos juros no Brasil.

Em última instância é preciso entender que quem opera no lado real da economia, esse lado que produz produtos, presta serviços, gera emprego, deseja que os operadores dos sistema bancário sejam parceiros, entendam sua necessidades e não comam parte considerável de seus lucros, quando se tratam de empresas, e tampouco comam boa parte da renda, quando se tratam de pessoas físicas.

Como dizem os mais antigos ao serem perguntados sobre quais seriam os dois melhores negócios do mundo: “primeiro, um banco bem administrado, segundo, um banco mal administrado.”

O chororô dos banqueiros não comove ninguém.

 

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Apr 11
    

O pacote de estímulo ao setor industrial brasileiro pode ser considerado tímido. Desde a estruturação conceitual da macroeconomia e a formatação dos instrumentos de controle da economia há total domínio sobre como os governos podem intervir na economia visando atingir seus objetivos.

Os números do desempenho econômico são ruins. O Banco Central captou desaceleração no início deste ano, o que levou o governo a focar o crescimento da economia, e com ele a manutenção do nível atual de emprego. Estas passaram a ser as prioridades.

Os instrumentos conhecidos vão desde a política fiscal, passando pela política monetária, chegando às políticas cambial, comercial e de rendas.

O que efetivamente tem sido feito? No tocante a política monetária a redução dos juros está em curso, mas ficou somente nos juros básicos, pois, na ponta, para o tomador de recursos o crédito está mais escasso e seletivo. Os juros não caíram aonde deveriam cair. O pacote anunciado não atacou esta variável como é o desejo dos agentes econômicos.

No âmbito do câmbio as ações também são pontuais. Decisões do Banco Central como elevação do IOF (imposto sobre operações financeiras) e a entrada firme na compra da moeda estrangeira, não garantirão competitividade a indústria nacional. Enquanto o resto do mundo protege fortemente suas moedas, equacionam seus custos internos, o Brasil se limita a intervir no câmbio. Dá alento no curto prazo, mas não garante absolutamente nada nos médios e longos prazos.

O governo optou pela política tributária. Desonerou a folha de pagamento dos setores: têxtil, confecções, couro e calçados, móveis, plásticos, elétrico, autopeças, ônibus, naval, aéreo, bens de capital, hotéis, tecnologia da informação, cal. sentir e chips. São setores importantes, mas são poucos. Seria precisa ampliar para outros setores, garantindo a todos alívio no custo do pessoal. Por sinal, a leitura positiva desta desoneração é que governo admite que o custo com pessoal no Brasil é proibitivo e retira competitividade internacional. Mas pensar que haverá geração forte de emprego com esta decisão é não conhecer a dinâmica do mercado. No máximo não haverá demissões.

Ainda no âmbito da política fiscal o governo prorrogou o prazo da redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados) para eletrodomésticos da linha branca e incluiu no pacote, móveis e outros produtos. Também contemplou a redução de tributos para investimentos em portos, ferrovias e equipamentos utilizados na construção de infraestrutura de banda larga.

Além destas medidas injetou recursos no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com juros menores para investimentos. Isso ajuda, mas é moroso.

Se somados os cortes nos impostos do pacote, que atingem 15 setores da economia é como se o governo gastasse o equivalente a somente um dia de sua arrecadação. Nada contundente que permita avaliar que a economia será fortemente afetada.

Faltou ousadia ao governo. Como colocado, foram contemplados poucos setores e com reflexos a médio prazo. Se efetivamente quer uma mudança estrutural no país, garantindo maior competitividade o caminho mais seguro é tirar do papel as tão alardeadas reformas estruturais que se mostram necessárias desde o lançamento do plano real na década de 1990. As reformas tributárias, trabalhista, administrativa, judiciária, previdenciária, são alguns exemplos do que é preciso avançar.

Se não querem mexer na causa, que ao menos fossem mais ousados no pacote. O governo se demonstra desconectado da realidade do setor privado brasileiro, lamentavelmente.

Decisões com pouco efeito prático esta é a conclusão.

 

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Feb 28
    

Entendendo o tumulto na apuração dos resultados das escolas de samba em São Paulo como um ponto fora da curva, é possível utilizar as escolas de samba como exemplo de multidisciplinaridade que é preconizada nas empresas.

A apresentação no sambódromo é resultado de meses de trabalho. Envolve uma série de profissionais que possuem um grande objetivo: conquistar o título, ou melhor, conquistar o público, realizando um verdadeiro espetáculo.

Vou começar exatamente por este espetáculo. No dia a dia qualquer gestor desejaria que sua equipe, seu produto final fossem aplaudidos de pé pelos consumidores. Para que isso seja verdadeiro é preciso primar pela qualidade, envolvendo pessoas, capital humano e processos bem definidos. Também é preciso trabalhar a imagem, ter preços competitivos, enfim, que o valor percebido pelo cliente seja positivo, partindo da relação custo/benefício.

Uma escola de samba envolve sistema de produção, cronograma de trabalho, profissionais das mais variadas áreas, como: designers, costureiras, decoradores, engenheiros, economistas (gestão econômica e financeira), contadores, administradores, profissionais de suprimentos, marketing, comunicação, gestão de pessoas, controle patrimonial, logística, entre outras.

Traçam seus planos e viabilizam recursos para que isso seja verdadeiro. Observem que nem sempre é quem gasta mais que conquista o primeiro lugar, mas sim, os mais criativos, os que conseguem melhor aproveitamento do material e acima de tudo são capazes de primar pela organização. Os próprios quesitos avaliados passam pela logística, como por exemplo, a evolução e a harmonia.

Quando julgam isoladamente alguns destaques, como a bateria, o mestre sala e porta bandeiras, é como se fossem colocados a prova os vários produtos e serviços oferecidos pela empresa.

Em ambiente competitivo as empresas não sobrevivem sem que haja a interface entre as várias áreas. Foi o tempo, por exemplo, que a contabilidade servia somente para atender demandas do governo, na geração de tributos. Outro exemplo é área finanças, que envolve os resultados da empresa como um todo.

Se pensarmos a visão estratégica da empresa no formato de pirâmide, é preciso ter o alicerce no patrimônio físico, capital humano, investir em processos, entender o cliente, investir em qualidade, imagem, possuir produtos diferenciados com preços competitivos e o topo da pirâmide será atingido com lucratividade e bom desempenho financeiro.

O fato de as escolas de samba ter que se apresentar em pouco mais de uma hora e jogar todas as suas fichas no dia da apresentação, passa a ser o elemento motivador para que as falhas sejam minimizadas. Neste sentido o desafio empresarial em outros setores da atividade econômica, talvez seja a definição de quando se dá a apoteose, ou seja, qual é o momento da efetiva apresentação, jogando ali todas suas fichas. Penso que pode ser no ato da venda, ou na estratégia traçada ou até mesmo na gestão de processos.

O que está posto é que em qualquer atividade, seja empresarial, cultural ou de governo, não há mais espaço para amadores.

Os objetivos devem ser claros, o envolvimento e comprometimento da equipe, na visão multidisciplinar são imperativos, e as estratégias devem ser traçadas para que isso tudo se torne realidade.

É preciso aprender sempre, principalmente quando o “produto” final agrada. As escolas de samba, ao menos o que se viu nos dias de apresentação oferecerem boas e importantes lições.

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Feb 16
    

Os dados referem-se a 2009, entretanto demonstra o quanto o Brasil é ávido por tributar: praticamos a maior carga tributária entre os países da América Latina e Caribe.

Em 2009 a mordida do setor público brasileiro foi de 32,6% do Produto Interno Bruto. Isso quer dizer que, de cada R$ 100,00 produzidos no mercado interno brasileiro, produção formal, R$ 32,60 foram canalizados para o Estado em todas as suas esferas.

O Brasil está 13,4 pontos percentuais acima da média da carga tributária dos países da região.

Só para ilustrar com outros números, a Guatemala pratica a menor carga tributária: 12,2%, outro país com baixa carga é a Venezuela com 14,4%.

Estamos próximos da vizinha Argentina, que tributa 31,4% do PIB.

Enquanto na região analisada a carga tributária aumentou em 4,3 pontos percentuais nos últimos 20 anos, o Brasil saltou mais de 10 pontos percentuais neste mesmo período e o que é pior, com maior taxação no consumo.

O lamentável é observar que os serviços públicos continuam com péssima qualidade. O Estado não é capaz de otimizar os processos, possui uma máquina pública travada, em muitos casos obsoleta, enquanto a corrupção e os desvios continuam soltos.

O frustrante diante deste cenário é concluir que há poucas perspectivas para mudanças. Pergunto: em sã consciência alguém acredita que haverá uma reforma tributária que reduza o patamar da carga tributária brasileira? A resposta já sabemos, não!

Isso porque o inchaço do Estado não tem volta. Como o setor público está sempre a reboque do setor privado e o modelo orçamentário público força a gastar, com as chamadas verbas vinculadas, a cada novo patamar de arrecadação vem novos gastos. Isso sem contar aumentos salariais abusivos, um sistema de previdência falido, apadrinhamento, superfaturamento, e um cem número de outras artimanhas e amarras da gestão pública.

O foco na prática deveria se concentrar no deslocamento do tributos, ou seja, diminuir a carga tributária no consumo, a mesma que cresceu absurdamente nestes 20 anos, tributando mais as grandes fortunas, por exemplo.

Os números só confirmam o que já sabíamos: o Estado está inchado, é gastador, ineficiente, corrupto, inoperante, e compensa tudo isso com maior tributação. É no mínimo uma combinação perversa.

 

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